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 Descanse em Paz, meu amor

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Agente X

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Data de inscrição : 29/07/2012
Localização : Um quarto no segundo andar

MensagemAssunto: Descanse em Paz, meu amor   Sex Mar 28, 2014 11:16 pm

Gênero: Sobrenatural
Classificação: Mais ou menos livre
Personagens: X, Lancer, Miata, Nom e Vitória
Capítulos: Indeterminado
Status: Em andamento
Resumo: Há alguma coisa estranha na casa encontrada pelo grupo de mafiosos sobreviventes. E misteriosamente Lilith começa a contar histórias de terror. Mal sabem que tudo faz parte de um problema a ser resolvido.


Nota: Sim, eu não tenho coragem de postar a fic num local top, então pedi pra fazer um cantinho aqui ¬///¬

Nota 2: Sim, foi baseado no livro "Descanse em paz, meu amor", que eu já gostei tanto que já fiz 3748274892374382 versões de fic sobre ele, então por que não incluir a máfia nessa lista, né?

Nota 3: A fic é simples. É mais pra testar se consigo trabalhar com a personalidade de vocês

Boa leitura  Wink 
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Agente X

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MensagemAssunto: Re: Descanse em Paz, meu amor   Sab Mar 29, 2014 1:59 am

01


Em algum lugar perto de alguma colina invadida pela tempestade noturna, um helicóptero havia caído e dele só restara os pedaços. Por sorte, um grupo de mafiosos sobreviveu ao acidente. Ou quase sorte. Não lhes restava muita coisa agora, senão uma bagagem com poucos suprimentos. Chovia torrencialmente, a ponto do frio invadir a pele e dar aquela sensação de que os ossos iriam quebrar a qualquer momento. 

Estavam abatidos, feridos, ensopados e trêmulos.

Naquela noite, eles caminhavam pro cenário mais consolador e ao mesmo tempo mais suspeito daquele contexto. A casa ainda parecia aguentar mais uns dez anos, apesar da pintura gasta e outros detalhes que nenhum deles tinha tempo para reparar. Ninguém respondeu à campainha, então tiveram que arrombar a porta. Entraram às pressas, abraçando-se ao próprio corpo para conter o frio.

Quando a porta se fechou, os cinco se olharam. Cada um com uma expressão mais enigmática que a outra.

- Ai, meu Deus...  – Nom ia completar a frase, mas foi interrompido pelo próprio espirro.

- Saúde. – Desejou Lilith num sorriso.

Miata passou a mão pelos cabelos que colavam em sua testa e os afastou:

- Nosso helicóptero...

- Isso não pode estar acontecendo... – Lancer murmurava transtornado.

X não manifestou nenhuma reação aparente nos primeiros instantes. Num gesto brusco demais virou as costas, tirou o capuz e se ajoelhou perto da única sacola que se salvara do acidente. A ração já era, os cartuchos estavam estragados e nem mesmo os aparelhos de escuta se salvaram. Prestes a perder as esperanças, tirou do fundo da bagagem o notebook de Júlian.

- Espero que não tenha danificado o GPS. – Em seguida tirou duas lanternas e as ligou. Por sorte estavam funcionando – Ufa...

- Vamos mesmo ficar nessa casa com cara de mal assombrada? – Miata era uma mistura de pânico com indignação – Sério mesmo?

Em outros momentos, Lancer teria jogado uma resposta cheia de humor negro para o namorado, mas a ocasião pedia seriedade. Fora que seu próprio humor era dos piores. 

- É isso ou a chuva. – Nom replicou. Sua voz forçava uma segurança que lhe escapava. - Eu estou congelando...

X não conseguia ter mais coragem que ninguém naquele recinto, entretanto estava acentuadamente desconfortável ali, fora o frio dos infernos. Esperava achar ao menos alguma coisa pra se aquecer. Torceu pra que a arma ainda estivesse funcionando e pegou uma das lanternas, jogando a outra para Lancer.

- Eu vou dar uma olhada na casa.

Em seguida sumiu no corredor.

- Ele ficou maluco? Não pode ir sozinho! – Nom franziu o cenho indignado – Vamos atrás dele?
 
Lancer, Miata e Lilith ficaram calados. Nom não conseguiu identificar a expressão de nenhum deles. Arqueou as sobrancelhas tentando absorver alguma coisa de Lilith e seu semblante enigmático, que parecia totalmente alheio à sua presença.

- E se nós... – Ela murmurou num tom de névoa – Contássemos histórias de fantasmas?

Foi como a garota tivesse proposto uma partida de roleta russa. Ao menos foi assim que Miata reagiu à proposta: 
 
- Quê!? Ficou maluca? História de terror?! As lâmpadas dessa casa nem estão funcionando!

Lancer fechou a cara e se colocou à frente do namorado:

- Olhe, se isso é uma brincadeira pra assustar ele...

- Não, ela pode ter razão! – Nom interviu, mesmo sem saber se essa era a melhor escolha - Olhem essa casa! Conseguem sentir o miasma daqui? Estamos presos nessa tempestade e ficaremos assim a menos que purifiquemos o ar.

- E a solução pra purificar alguma coisa é contando histórias macabras!? – Miata estava em pânico - Vamos atrair mais!

- Talvez... Talvez não... – Lilith mordeu o lábio inferior e respirou fundo. – Podemos tentar. Vamos esperar X voltar e ai eu começo, certo?

Lancer contraiu o punho e cerrou os dentes:

- Miata odeia essas histórias. Ele não precisa escutar.

- Todos precisam escutar. – A moça insistia – Por favor, confiem em mim. Vamos esperar X e começar. Vai ser rápido. A casa não é grande. Não tem muito lugar pra investigar.

O piloto de corrida não insistiu nem desistiu. Apenas torceu para que a busca de X demorasse tempo suficiente para Lilith desistir da ideia. Olhou para o notebook de Júlian e torceu para que aquilo ainda ligasse. Tentou. O disco rígido estava totalmente comprometido, mas o GPS instalado parecia ter se salvado.

Furioso, Lancer deu um soco no chão de madeira. No fundo se culpava por tudo o que tinha acontecido. Não devia ter se oferecido para pilotar aquele helicóptero, muito menos concordado em viajar com a previsão de um temporal. Está certo que nunca imaginara que a tempestade fosse tão violenta, mas mesmo assim a raiva e a frustração que lhe consumiam eram imensuráveis.

A luz surgiu do corredor, e junto com ela veio X, com o corpo agasalhado por uma toalha branca e felpuda, que lhe cobria a cabeça, os ombros e os braços. A capa verde estava enrolada de baixo do mesmo braço que trazia a lanterna. No outro, havia mais quatro toalhas.
 
- Boas notícias. É a casa de praia de alguém. Também tem lençóis nos quartos.

Miata olhou para todos aqueles generosos pedaços de pano quentinhos e felpudos sem sentir vontade de tocar em nenhum deles. A ideia daquele lugar ser a casa de praia de alguma família não lhe convencia. Aquilo estava mais parecido com um lar de algum defunto. Típico das histórias sobre casas mal assombradas.

Aquela ideia lhe causava arrepios.

- Então? Vamos começar? – A moça voltou a lançar um sorriso amigo.

Um sorriso que de alguma forma não agradava Lancer.

- Começar o que? – Perguntou X.

- Histórias de fantasmas. Achei que seria uma boa ideia contarmos pra suavizar o clima.
 
X não respondeu de imediato. Ficou em silêncio, deixando os olhos se esconderem pelas lentes que refletiam a luz da lanterna do ruivo. Com um leve ar de hesitação que quase - quase - passou despercebido por Lilith, assentiu: 

- Tá. Quem começa?

Os olhos de Miata se arregalaram.

- Tá brincando, né? – Lancer estava incrédulo.

- Não temos muito o que fazer. Os outros vão demorar a nos encontrar, não tem comida, nem energia, e só vamos poder pescar alguma coisa ou tentar encontrar um resquício de civilização amanhã, depois da tempestade. Além disso... – virou o rosto ao fazer uma pausa – Vai ser bom deixar o clima menos pesado.

- Então são três contra dois. – Nom anunciou – Vamos começar.

Foi com muito custo que todos se sentaram numa roda imaginária, deixando apenas uma das lanternas iluminarem o local. Lilith mantinha um sorriso que parecia estar prestes a desmanchar, Nom contraía os lábios, X mantinha os olhos fixos em algum ponto imaginário, Lancer engolia sua revolta e Miata se via diante de seu pior pesadelo. 

- Eu começo... - Pronunciou a moça com uma voz fraca demais - Aconteceu há bastante tempo...





Continua
 


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Agente X

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MensagemAssunto: Re: Descanse em Paz, meu amor   Dom Abr 06, 2014 1:42 am

02
(A HISTÓRIA DE LILITH)


Aconteceu numa cidade perto da minha. A história ficou bem famosa na vizinhança. Um homem chamado Miguel, que morava perto da linha de trem, estava abatido durante aquela semana. Estava mais magro que o normal e parecia sempre tenso.


Lilith fez uma pausa e olhou para Nom, que se surpreendeu e, por um motivo bem conhecido, sentiu um corado se espalhar pelas próprias bochechas.

- O que... O que foi?

- Essa história foi achada no diário desse homem. – Ela falou, agora com uma nota de tristeza na voz – Quem tomou conhecimento achava que foi coincidência, mas eu sei que foi real.

- Eu acredito em você. – Ele sorriu gentilmente – Estou ouvindo cada detalhe.

X abraçou os próprios joelhos enquanto ouvia a história, e apoiou o queixo neles. Já Lancer e Miata não viam a hora de tudo aquilo ter um fim.

Então Lilith continuou:

A verdade era que na semana passada, Miguel ouviu um barulho inusitado do lado de fora. Ele abriu a janela naquela noite e sentiu um frio na espinha ao ver uma sombra preta de pé nos trilhos, contra a luz do luar. Era um espectro.


Ele nunca tinha visto algo assim. No primeiro momento ele pensou que tudo aquilo era uma alucinação. O clima úmido, o barulho dos orvalhos, o uivo dos ventos... Ele achou que todo aquele cenário estava mexendo com sua visão e o fazendo enxergar aquela “pessoa” de pé. Era apenas um contorno preto, sem detalhes, a não ser pelos olhos luminosos e amarelos, que brilhavam animalescos para Miguel.


O espectro colocava as mãos na própria garganta e se debatia. Miguel até se ofereceria para ajudar se não estivesse com tanto medo. A figura caiu sobre os joelhos e desapareceu.


Miguel fechou as janelas.


Lilith mirou a luz da lanterna e prosseguiu com voz baixa:

- Na manhã seguinte, uma passageira de trem morreu engasgada com a própria saliva. Enquanto morria, ela fazia o mesmo gesto que Miguel viu o espectro fazer.

Miata tentou não demonstrar tanto medo quanto o que estava realmente sentindo. Lancer notou isso e, contando que a história já tinha chegado ao seu final, estava pronto para sugerir que fizessem outra coisa quando ouviu as próximas palavras da colega de trabalho:
 
- Miguel contou para todos os amigos íntimos sobre o que tinha acontecido, mas ninguém acreditou nele. Acharam que ele tinha bebido e tido alguma alucinação que, por azar, coincidiu com uma morte fulminante.

Mas Miguel viu o espectro outras vezes. Outras noites. Sempre em cima dos trilhos, encarando-o com os olhos amarelos ressaltados e fazendo gestos repetitivos, como se obrigasse Miguel a resolver uma charada. 


O espectro fez o gesto do Sr. Smith quando abria a carteira antes do assaltante o empurrar nos trilhos. Também imitou a Sra. Sonja cambaleando porque não tinha tomado os remédios que a mantinham viva, e o coveiro cavando a terra antes de ter um ataque cardíaco. 


As coincidências se tornaram um pesadelo só. Miguel não conseguia dormir de noite, nem ficar acordado de dia. Todas as vezes abria a janela e encontrava o espectro fazendo um movimento para ele adivinhar quem seria a próxima vítima. Aquilo havia se tornado um jogo. Um jogo que Miguel nunca conseguia desvendar a tempo. 


Uma noite, ele viu o espectro no lugar de sempre. Ele estava de pé e fazia um gesto curioso. Parecia puxar alguma coisa, mas não curvava a coluna pra frente. O corpo estava rijo. Apenas o braço direito mexia, pra cima e pra baixo. Puxando algo acima da cabeça. O homem não conseguiu decifrar a premonição (como nunca conseguia) e resolveu esperar até a profecia acontecer.


Ele já estava conformado.


Mas no dia seguinte nada aconteceu. Ninguém morreu. Miguel ficou mais intrigado do que feliz. O espectro havia errado?


Então naquela mesma noite ele abriu a janela mais uma vez e lá estava a sombra fazendo o mesmo gesto da noite anterior. Com certeza ela queria dizer que sua premonição ainda ia acontecer. Miguel não sabia dizer se estava amedrontado ou ansioso.


E, novamente, nada aconteceu no dia seguinte. Nenhuma morte. O espectro continuou repetindo aquele gesto noite após noite, mexendo com os nervos de Miguel e o fazendo ficar paranoico. Cada passo, cada pessoa, cada acontecimento... Miguel não parava de pensar na visita do espectro, e a tensão já estava o deixando louco.


Em uma certa noite ele não aguentou. Abriu a janela e ao ver o espectro sobre os trilhos, acenando para ele, fazendo o mesmo gesto de puxar algo, decidiu que iria encará-lo de uma só vez. Saiu de casa vestindo só o pijama e correu enfurecido pela escuridão até a sombra. Tão desesperado que não viu o trem vindo em sua direção. O som foi ouvido tarde demais. 


O corpo de Miguel foi achado dilacerado sobre os trilhos.


E o movimento do maquinista era igualzinho ao do espectro.


-

O trovão cortou o céu e pareceu ter rasgado o peito nervoso de todos os presentes. Os olhos de X se abriram mais que o normal enquanto engolia em seco. Nem mesmo Nom, que estava tão absorvido na história, conseguiu escapar do susto. Miata soltou um gemido, levou as mãos ao rosto e as arrastou até os cabelos, mas quem protestou foi Lancer.

- Agora já chega! Está assustando ele!

- Desculpe... – Lilith se encolheu – Eu só queria dizer que as vezes os fantasmas ficam entre os vivos porque querem passar mensagens. Então não deveríamos ter medo deles.

Uma gota de suor escorreu pela cabeça dos outros quatro.

- Não devemos ter medo?! – Lancer bufou – Você contou uma história assustadora demais pra quem pede calma!

- Olha, eu vou ter que concordar com ele. – X apontou Lancer com o polegar. – Honestamente, sua arte de acalmar os nervos é tão eficaz quanto dar cupons de desconto em churrascaria pro chefe em troca de favores.
 
- Hei! - Nom interveio subitamente - Quem você pensa que é pra falar assim com ela, meio metro?

- Desista, Nom. Eu não brigo com damas como você.

Lancer ficou de pé repentinamente:

- Tá legal, vocês dois! CHEGA!

E os dois se calaram.

O clima de discussão latente ainda ficou no ar, mas nem Nom nem X insistiram nela. A verdade era que Lancer estava um tanto... Assustador. Mesmo para o próprio Miata, que o conhecia tão bem. Havia uma áurea gélida no piloto que fazia o mecânico se sentir desconfortável.

Decidido a acabar com o clima pesado, Miata reuniu toda a coragem que tinha e abriu a boca. Sua voz saiu tão trêmula quanto o seu corpo.

- E se eu... – Murmurou de forma quase inaudível – Contasse uma história?


O lugar mergulhou num silêncio. Mesmo um Lancer contrariado não ousou se manifestar.

Miata respirou fundo e começou a contar. Seus olhos lagrimavam um pouco.


Continua


Última edição por Agente X em Ter Abr 15, 2014 1:45 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Descanse em Paz, meu amor   Ter Abr 15, 2014 2:07 am

03

(A HISTÓRIA DE MIATA)


O clima tendia a ficar cada vez mais cruel. A chuva riscava barbaramente o vidro da janela ao som dos ventos uivantes e das trovoadas. Para piorar, a energia elétrica ainda não tinha voltado e o estômago de X começava a fazer um barulho bem característico.


- Ah, cara... – Murmurou pra si enquanto abraçava discretamente o próprio ventre. Precisava se distrair com alguma coisa, e o objeto escolhido foi o notebook danificado, que foi colocado em seu colo.

Miata inspirou o fino ar pela terceira vez. Tremia dos pés à cabeça e estava prestes a desistir de participar daquilo. Talvez nem tivesse topado continuar com aquele esquema se o seu temor de que o clima naquele recinto ficasse pior do que já estava não fosse maior. De qualquer forma, reuniu coragem e começou a falar. Seu queixo estava rígido:

- Meu avô me contou uma história que ficou na minha cabeça pra sempre. Eu morria de medo de falar com pessoas estranhas depois que a ouvi. 

Fez uma pausa e olhou para Lancer. O ruivo fingiu que não percebeu a mirada.


- Aconteceu com um ex presidiário. – Prosseguiu o mecânico – O nome dele era Thomas, se não me engano. Ele sabia que a vida fora da cela não seria fácil. Quem iria querer dar emprego a um condenado? Havia virado a escória da sociedade e o plano agora era pensar em como sobreviver. 




O que ele não imaginava era que no momento em que ele achava que tudo estava perdido, a sorte mudou ao seu favor. Andando por uma estrada escura, ele encontrou uma mulher com problemas. O carro dela estava com o pneu furado e ela pediu ajuda a ele. 


- Muita coragem. – Interrompeu X distraidamente, virando o notebook de cabeça pra baixo.

- É. – Miata abriu um sorriso sem graça. – Mas que outra alternativa ela teria? Estar sozinha dentro de um carro enguiçado numa estrada escura... Qualquer decisão seria arriscada.

- Verdade.

- Espere, então ele a matou? – Perguntou Nom interessado.

Miata assentiu (X se segurou para não dizer "claro que matou, idiota, ele não está contando nenhuma história romântica", mas se conteve).

- Matou. - O mecânico se recusava a olhar para Nom e qualquer outro membro da roda - Ele tinha percebido que o carro era caro e que a mulher estava com algumas joias. A que mais chamou a atenção foi um anel com uma grande pedra de rubi.



Thomas agiu por instinto. Tirou uma faca da bota e golpeou o ventre na mulher várias vezes até mata-la. Depois tirou os brincos e o colar. Foi mais fácil do que tirar aquele anel de rubi do dedo anular dela. Tentou tirá-lo até com a boca, mas nada adiantava. O jeito então foi usar a faca pra decepar o dedo. Depois de cortar toda a carne ele quebrou o osso como quem quebra um graveto e foi embora com o carro.


A partir daí a vida dele mudou. Thomas vendeu o carro, os brincos e o colar. Com o dinheiro começou um negócio próprio com o narcotráfico. Multiplicou as moedas e subiu na vida até poder comprar uma empresa de calçados e progredir ainda mais. Em dois anos, Thomas havia se tornado um homem notadamente rico e um grande frequentador de cassinos. Fazer dinheiro era a sua maior habilidade.


O anel de rubi nunca saíra do dedo de Thomas. Para ele, a joia era uma espécie de amuleto da sorte, pois foi a partir daquele crime que as portas se abriram para ele. O ex detento havia se tornado um dos partidos mais cobiçados pelas mulheres da região. O que não faltavam eram indiretas para pedidos de casamento.


Então por uma mulher entre tantas ele se interessou. Uma noite todos aqueles que estavam no cassino conheceram Solange Perret, a nova acompanhante do senhor Thomas. Solange parecia atrair sorte, pois ganhava grande parte das apostas e conseguiu sair com o dobro do que tinha investido. Isso atraiu mais Thomas. Os atendentes o viram sair com ela do recinto e irem juntos para um quarto de motel.


Eles nunca imaginaram que na manhã seguinte encontrariam o hóspede morto, esquartejado em cima da cama, com as mesmas roupas que havia usado na noite anterior. As autoridades policiais recorreram às câmeras de segurança e conseguiram ver a acompanhante do senhor Thomas entrando no quarto junto com ele e saindo depois sozinha.


Na hora em que saía ela olhava para a câmera. Seus olhos pareciam não ter íris.


E ela estava sem luvas.


Uma das mãos estava sem o dedo anular.

O barulho da enxurrada pontuou a frase. Foi nessa mesma hora que um ponto de luz azul piscou de uma das entradas do notebook, chamando a atenção de X. Já Nom agora praticava a sua tolerância, posto que em nenhum momento soltou a provocação acerca da história de Miata ser tão assustadora quanto a de Lilith.

Miata baixou a cabeça e comprimiu os lábios.

- Meu... Meu avô dizia que os fantasmas as vezes ficam na Terra porque tem questões a resolver... Mas eu sempre imaginei que assim como os vivos eles também podem ser bem cruéis.

- Não é só isso. - Lilith sibilou deicidida - Os mortos podem se misturar com os vivos. Você viu como todos achavam que a mulher estava viva?


- Sim... Isso  chega a ser assustador.

Lancer, que até então estava em silêncio, olhou para a janela da parede oposta. 

A cena do helicóptero cedendo à fúria da tempestade e a de si mesmo falhando miseravelmente em manter o controle insistiam em se repetir em sua mente enquanto o peso da culpa o esmagava. Queria se sentir mais leve e entrar no clima junto com os outros, mas era quase impossível.

- Devíamos estar fazendo alguma coisa pra sair dessa situação. – Sibilou mais pra si do que para o grupo – Contar essas histórias não nos levará a lugar nenhum.

Miata mirou o piloto com preocupação:

- Lancer, você ouviu, não ouviu? Não podemos fazer nada até a chuva passar.  

- Mas não dá pra ficar sentado... – Baixou a cabeça - Eu sei que a culpa foi minha. Eu derrubei o helicóptero eu coloquei a gente nessa situação...

- Pára... – Pedia Miata num muxoxo mais do que fraco. – Não foi culpa sua...

- Foi sim. – Rebatia com os olhos fixos no chão – Eu sei que foi.

X suspirou, ainda com o olhar voltado pro notebook:

- Tire essa ideia da cabeça, amigo. A culpa não foi sua. E ainda que fosse, repetir isso pra si mesmo não vai melhorar a situação. – Deixou o aparelho de lado e cobriu-se mais com a toalha. – Sabe...? Não está sendo fácil pra ninguém.

Lancer sacudiu a cabeça de forma deprimente.

- Eu não consigo contar uma história, X.

X olhou para cima e mordeu o lábio inferior:


- Então eu conto.



Continua
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